Esgotamento Mental e a Pandemia

A disseminação do COVID-19 pelo mundo no início de 2020 mudou inúmeros paradigmas profissionais e pessoais ao redor do planeta. Essas mudanças impactaram diretamente nossa saúde mental e nossa relação

Que a COVID-19 mudou completamente a dinâmica social e profissional do planeta todo mundo já sabe, já que nós precisamos mudar nossa dinâmica de trabalho, descanso, estudo e de convívio. Muito se fala nos impactos econômicos e nos paradigmas de trabalho, mas existe um ponto extremamente alarmante que veio junto com essa pandemia: a exaustão mental.

Esse não é um problema recente, mas que está sendo muito acentuado com a dinâmica de home office imposta pelo distanciamento social. Foi possível perceber que nesse novo estilo de trabalhar as pessoas se sentem mais pressionadas, já que foi necessário lidar com o novos medos e desafios que antes não eram tão recorrentes. Atualmente, além da extensa carga de trabalho, estamos lidando com o medo da contaminação e da morte de entes queridos, receio de perder o emprego devido ao cenário econômico instável, falta de contato com outras pessoas pela prática do home office e a dificuldade de conciliar as demandas profissionais e pessoais. Dessa forma, se tornou mais comum o aparecimento de quadros de ansiedade, depressão, síndrome de Bournout e exaustão mental. Uma pesquisa realizada pela Associação Americana de Psiquiatria mostrou que 2/3 dos entrevistados relataram apresentar quadros de ansiedade ou depressão e que 40% disseram lutar contra a Síndrome de Bournot. Além disso, segundo o Instituto Gallup, 23% dos trabalhadores em regime de tempo integral relataram que têm se sentido esgotados com muita frequência ou sempre.

Não é incomum conversar com pessoas próximas e ouvir relatos de que o sono não está sendo mais reparador, que está se sentindo mais lento para realizar tarefas, que sua produtividade está sendo abaixo do que é esperado pelas pessoas, sinais claros de um quadro de exaustão mental. Isso ocorre quando alguém é submetido a uma carga de estresse muito intensa e constante, fazendo com que esteja sempre no limite das suas emoções. Sabemos que nosso organismo foi programado para suportar uma determinada carga de estresse diário, contudo quando passamos por esse quadro de maneira constante e intensa existe uma sobrecarga que atrapalha a administração dessas emoções.

“Faça um teste simples: tente segurar um peso qualquer nas mãos. Você verá que será insustentável. Fisicamente, nossos limites são mais claros, quando o músculo se exaure, o peso cai. Psicologicamente, eles não são tão nítidos. Não há mágica que consiga me fazer ir além. É importante dar um passo atrás, dividir e compartilhar os pesos e recuperar o significado da vida, se possível for. Outras vezes precisamos nos reconfigurar. Temos dificuldade em aceitar nossas fragilidades, carências e necessidades. Gostamos mais de nos desafiar, de bater metas e recordes. Muitas vezes o esgotamento vem de uma negação da própria realidade, literalmente falando. Não somos máquinas e não basta acionar botões e pronto”. Gustavo Alarcão, psicanalista.

Alguns sinais podem ser observados caso você suspeite estar passando por isso:

  • cansaço excessivo: tanto da mente quanto do corpo, mas não apenas se sentir cansado, e sim não conseguir descansar em nenhum momento;

  • alterações no apetite: a pessoa pode não sentir fome ou comer mais do que comia antes, como uma forma de suprir as faltas que está sentindo;

  • insônia: se manifesta de diferentes formas, sendo pela demora excessiva para dormir, acordando de madrugada sem sono, despertando diversas vezes ou até mesmo tendo uma noite agitada;

  • dificuldade de concentração: como a mente está cansada a pessoa não consegue se concentrar em suas atividades, tem dificuldade para raciocinar e prestar atenção;

  • apatia e desânimo: o indivíduo com Síndrome do Esgotamento Emocional simplesmente não tem mais vontade de fazer nada nem o mesmo ânimo para interagir com as pessoas;

  • sensação de medo: a pessoa experimenta a sensação de que está sempre ameaçada por alguma coisa, de que algo ruim está prestes a acontecer;

  • desesperança: o esgotamento emocional também traz a impressão de que nada vai mudar, não há saída, não existe uma solução para os problemas.

  • tensão muscular: a pessoa passa muito tempo do dia com os ombros levantados em direção a orelha, língua no céu da boca, maxilar travado, músculos do rosto contraídos, entre outros.

  • sudorese

  • tremores

  • palpitações cardíacas

Caso você esteja passando por isso existem algumas coisas que podem ajudar como, por exemplo, praticar uma atividade física, meditar, atividades relaxantes, hobby que te permita desacelerar e a mais importante que é buscar ajuda. Ao menor sinal de necessidade é muito importante buscar ajuda de profissionais capacitados, sendo muito importante que isso seja feito de maneira precoce.

Nunca se esqueça que você não está sozinho!

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