Capacitismo

Dia 24/08 começaram os Jogos Paralímpicos e jogou uma luz sobre o debate acerca do capacistimo.

Atualmente muito se discute sobre as diversas formas de violência que as minorias sofrem diariamente ao redor do mundo. É comum surgir em rodas de debate assuntos como homofobia e racismo, porém ainda pouco se fala sobre o preconceito associado a violência sofrida por pessoas com deficiência (PCD). O termo capacitismo surgiu pela primeira vez durante movimentos que buscavam direitos desse grupo ocorreram no EUA, em 1980, contudo só foi citado no Brasil em 2011. Entretanto, mesmo após 10 anos da sua primeira citação, esse termo é pouquíssimo difundido em nosso país (principalmente quando comparado com termos como homofobia) e uma prova disse é que o próprio Pacote Office não reconhece a palavra capacitismo e a coloca como erro de ortografia. É estranho em um país em que cerca de 25% da população possui algum tipo de deficiência, segundo censo de 2019 do IBGE, não haja um forte debate sobre direitos desse grupo.

Fonte: Blog Casadapta.
#PraCegoVer: na imagem estão diversas pessoas com deficiência e tem os dizeres “Capacistimo Não!”.

O capacitismo se refere ao preconceito relacionado a “capacidade” de outros seres humanos, principalmente relacionado a pessoas com algum tipo de deficiência. Contudo, ter uma atitude capacistista não se limita a opressão ou discriminação, uma vez que, abrange também a falta de acessibilidade e de um olhar plural para a existência humana. Enquanto houver a ideia que existe um corpo considerado “padrão e normal”, parte da população viverá a margem e sendo excluída por um olhar que os inferioriza.

“Minha professora da escola não me tratava da mesma forma que meus colegas, muitas vezes não tinha paciência para adaptar os exercícios ou me incluir nas atividades. Tinha até uma intérprete, mas muitas vezes ela não conseguia traduzir palavras mais específicas, como as de Biologia ou Química”.  Nayara Silva, artista e deficiente auditiva.

Além disso, a língua portuguesa está repleta de termos extremamente ofensivos para PCD e o problema é que a falta de conscientização sobre esse tema faz com que isso passe despercebido. Expressões como “você está surdo?” e “está cego, não enxerga não?” carregam consigo um alto grau de preconceito e muitas vezes são tomadas como normais. Então, para te ajudar a não usar mais termos capacitistas, nós relacionamos algumas expressões comuns e que você deve tirar do seu vocabulário:

  • Cego de raiva.

  • Tão bonito, nem parece que tem deficiência.

  • Você é mongol?

  • Que mancada!

  • Está surdo/cego?

  • Você é retardado?

  • Para de fingir demência.

  • Dar um de João sem braço.

  • A desculpa do aleijado é a muleta e de cego é bengala.

  • Mais perdido que cego em tiroteio.

  • Inspiração! Deve ser tão difícil ter essa deficiência e eu aqui reclamando da minha vida. Você é um guerreiro (a)!

  • O pior cego é aquele que não quer ver.

  • Você tem um filho especial, porque você é especial.

  • Achei que você era normal.

Também relacionamos 6 posturas para você pensar:

1)      Sempre pergunte antes de assumir qualquer coisa: nem todas as pessoas se sentem confortáveis com as mesmas coisas. Por exemplo, algumas pessoas preferem ser chamadas de cego e outras de deficiente visual. Perguntar não ofende, sair afirmando coisas sim.

2)      Piadas ofensivas não são engraçadas: se não é para todo mundo rir, então não é piada, né? Ridicularizar alguém não tem graça.

3)      Repense suas expressões corriqueiras: tente retirar do seu vocabulário expressões como as que trouxemos e busque entender se existem outras que são assim.

4)      Tente ser inclusivo em todos os aspectos da vida: olhe ao redor e pense quantas pessoas do seu convívio são PCD? Os últimos programas que assistiu tinham alguma pessoa desse grupo? Questione!

5)      Não se sinta especial por fazer o mínimo: não se vanglorie por ser uma pessoa não capacitista, gentileza é um dever. Você sai por ai se vangloriando por não ser homofóbico?

6)      Esteja aberto a ouvir e aprender: entenda que esse não é o seu lugar de fala e escute o que quem passa por isso tem para dizer.