Caminhões Autônomos

Será que a vale a pena investir em algo 50% mais caro ou é melhor continuar do jeito convencional?

Muitas pessoas esperavam que em 2021 já teríamos carros voadores, aviões que voam sozinhos e carros que não precisam de seres humanos para serem guiados, só que sabemos que isso ainda não é uma realidade. Contudo, podemos dizer que a tecnologia está caminhando para em breve termos esse tipo de facilidade e a prova disse é a utilização de caminhões autônomos em operações mineiras.

Pensando em um contexto Brasil, podemos dizer que em 2018 demos os primeiros passos para que a tecnologia autônoma viesse a ser usada em pequenas proporções. Isso ocorreu no momento em que a Vale, mineradora presente em diversos estados do país, optou por adquirir sete caminhões autônomos para serem utilizados na Mina de Brucutu, localizada em São Gonçalo do Rio Abaixo em Minas Gerais. De fato, a Vale fez uma grande aposta, já que esses caminhões gigantes custam certa de 50% mais que os convencionais, valor que gira em torno de R$ 15 milhões.

Mina de Brucutu, em Minas Gerais – Daniel Mansur/Vale

Esse tipo de caminhão funciona sem gerencia humana, sendo controlado remotamente por computadores, radares, GPS e Inteligência Artificial (quer saber sobre ramos da AI? Veja nossos outros posts). Além disso, alguns modelos de equipamentos podem chegar a 226 toneladas de material transportado e 60 km/h de velocidade máxima. Outro ponto interessante de ser abordado é a maneira que eles podem operar, já que existem duas alternativas principais:

  • Podem seguir uma rota pré definida em um mapa da mina que pode ser alterado automaticamente;

  • Podem seguir o melhor percurso definido pelo centro de controle da mina seguindo as características da operação no momento.

Contudo, você pode estar se perguntando quais as melhorias que esse alto investimento pode gerar. Segundo o gerente de tecnologia de mineração da Sotreq, Bruno Peixoto, o uso de uma frota automatizada pode reduzir os custos em cerca de 20%, valor que é extremamente relevante, já que no contexto mineral significam milhões de reais. Além disso, os fabricantes apostam em outros grandes impactos:

  • Aumento da segurança, já que os dispositivos conseguem identificar obstáculos e mudanças não previstas, reduzindo o risco de atropelamentos e batidas;

  • Ocorre redução na emissão de CO2 e particulados, melhorando assim os aspectos ambientais do empreendimento;

  • Como a rota se torna mais precisa, existe uma maior economia de combustível;

  • Não existe a necessidade de trocas de turnos, paradas para almoço e em grandes eventos como Copa do Mundo, permitindo que a operação trabalhe em um regime de 24/7.

  • A operação se torna mais consistente o que gera um aumento da produtividade e permite uma redução de frota;

  • Diminuição dos custos de aquisição de novos equipamentos;

  • Os equipamentos tendem a ter menos paradas não programadas, aumento da disponibilidade física, por sempre operarem dentro dos parâmetros especificados.

Em pouco mais de seis anos, transportamos com segurança 2 bilhões de toneladas — um marco significante que alcançamos mais rápido que nossos concorrentes", disse Sean McGinnis, gerente de produto de tecnologias e soluções MineStar.

Acredito que a tendência do mercado mineral seja caminhar para cada vez mais no sentido da autonomia da operação e aquelas empresas que se renovarem mais rápido ganharão vantagens competitivas. Claro que nem todos os equipamentos permitem esse tipo de mudança com a tecnologia que temos atualmente, como escavadeiras que ainda precisam contar com a decisão do operador, mas julgo que em breve muitas empresas trabalharão com frotas de caminhões totalmente automatizadas. Afinal, a própria Vale conta com um centro de tecnologia voltada para melhorias em suas operações.

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